Porque fizemos este estudo
Fala-se muito de transformação digital e de inteligência artificial nas PME, mas com poucos números concretos sobre o ponto de partida real das empresas portuguesas. Por isso decidimos olhar para os dados. Recolhemos e analisámos informação pública de mais de 1.000 PME em 8 cidades — Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Aveiro, Faro, Leiria e Setúbal — e 7 setores: contabilidade, imobiliário, construção, restauração, padarias, energia solar e consultoria.
O objetivo era simples: perceber quantas PME têm uma presença digital própria, como varia por setor e cidade, e onde está a maior oportunidade de ganhar eficiência com automação e IA.
Conclusão principal: 1 em cada 6 PME não tem website
Das empresas analisadas, 84% têm website. Dito de outra forma: em 2026, cerca de 16% das PME — quase uma em cada seis — não tem qualquer presença digital própria além da ficha no Google Maps. E ter uma ficha no Maps não é o mesmo que ter infraestrutura digital: muitas destas empresas são bem avaliadas e visíveis, mas continuam a gerir orçamentos, atendimento e processos de forma totalmente manual.
A avaliação média foi de 4,6 estrelas e manteve-se notavelmente uniforme entre setores e cidades. Isto diz-nos algo importante: a reputação já não é o fator de diferenciação — quase toda a gente é bem avaliada. A diferença competitiva está a passar para a eficiência operacional e para a rapidez de resposta, exatamente onde a automação com IA tem mais impacto.
Presença digital por setor
A variação entre setores foi o resultado mais revelador:
- Imobiliário — 97% com website. O setor mais digitalizado da amostra. As agências imobiliárias dependem de portais e anúncios, por isso quase todas têm presença online — o próximo passo aqui não é ter website, é automatizar descrições, qualificação de leads e seguimento.
- Energia solar — 90%. Setor jovem e digitalmente competente; a oportunidade está na orçamentação e qualificação de leads automáticas.
- Construção — 88%. Mais digital do que o estereótipo sugere, mas a maioria dos processos críticos (orçamentação) continua manual.
- Consultoria — 87%.
- Contabilidade — 83%. Curiosamente, um dos setores que mais lida com dados é dos menos digitalizados na própria presença. Veja porquê isto importa em IA para contabilidade.
- Restauração — 82%.
- Padarias — 65%. O setor mais atrasado, e com larga distância. Mais de um terço das padarias não tem qualquer website. É o exemplo perfeito de negócios com enorme presença física e procura — mas quase nenhuma infraestrutura digital. Veja o potencial em IA para padarias e restauração.
Visibilidade não é o mesmo que presença digital
Um dado que vale a pena destacar: o número de avaliações no Google variou brutalmente entre negócios de consumo e negócios B2B. Os restaurantes da amostra tinham, em média, mais de 1.800 avaliações; as padarias mais de 1.100. Em contraste, gabinetes de contabilidade tinham em média 13 e empresas de construção 27.
Ou seja: os negócios de consumo são muito visíveis no Maps, mas isso esconde a falta de infraestrutura própria (site, reservas, encomendas online). Os negócios B2B são quase invisíveis em avaliações, mas dependem totalmente da rapidez de resposta — onde um orçamento gerado em minutos ganha o cliente.
Presença digital por cidade
Por cidade, a cobertura de website foi mais uniforme do que esperávamos, entre 79% e 90%. Lisboa lidera (90%), seguida de Braga e Aveiro; Faro, Coimbra e Setúbal ficaram na cauda (≈79–82%). A leitura é clara: o atraso digital não é um problema de "interior vs. litoral" nem das grandes cidades vs. as pequenas — é transversal e, sobretudo, setorial. O setor pesa muito mais do que a geografia.
O que isto significa para a sua empresa
Se está num setor altamente digitalizado (imobiliário, solar), ter website já não chega para se diferenciar — a vantagem está em automatizar o que os concorrentes ainda fazem à mão. Se está num setor atrasado (padarias, parte da contabilidade e restauração), há aqui uma janela: as empresas que derem o passo digital e automatizarem primeiro vão destacar-se de forma desproporcional.
Em ambos os casos, o ponto de partida é o mesmo — perceber que processos repetitivos consomem mais horas e onde a IA gera retorno mais rápido. É exatamente isso que fazemos num diagnóstico gratuito, e a maioria destes projetos é elegível para financiamento Portugal 2030 / IFIC até 75%.
Metodologia
Os dados foram recolhidos em junho de 2026 a partir de informação pública de empresas (Google Places), cobrindo 8 cidades e 7 setores, com mais de 1.000 empresas analisadas. É uma amostra indicativa de conveniência, não um censo estatisticamente representativo do universo das PME portuguesas — os valores devem ser lidos como tendências, não como percentagens oficiais. Ainda assim, a dimensão e a consistência dos padrões entre cidades dão confiança às conclusões qualitativas.